quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Vê se me entende.




Você quer que eu comece por onde? Eu sempre soube de nós dois. Nunca me peguei imaginando o meu futuro junto contigo, mas eu sabia que nos encontraríamos e de alguma forma nos sintonizaríamos.

Não sei bem como falar isso com você. Podia falar ao mundo, mas não com você. As mulheres podem me chamar de descarada, insensível. Eu sou o quê afinal?

É difícil falar de um sentimento incompleto, de algo inconstante. Precisaria de palavras não criadas, de um choro que não demonstrasse pena ou dor. Você e eu sabemos que “um dia, quem sabe, talvez”. Sim, já pensamos assim.

Não sei bem o estrago que eu fiz em você. No começo era belo, digno de suspiros e gritos. Agora ficou embaçado, diferente, minha miopia agravou. O meu problema é com a linearidade. As feridas que eu tinha no coração criaram uma casca grossa. Eca. Mas foi preciso. Fui contaminada com a grosseria, agora o coração não pulsa, não arde, não sorri e o pior, não dói. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Da nossa relação: meu amor, sua frieza




Você sabia desde o inicio. Você usou disso ao seu favor, não soube segurar a sua prepotência masculina. Você me queria rastejando aos seus pés. Eu rastejei. Desdobrava-me pra chamar tua atenção, fazia performances no corredor pra que nossos olhos se encontrassem. Você me punindo ou não com teu olhar, eu os queria comigo.

Foi por muito tempo um remédio nas minhas manhãs, recebi doses demais. Sem saber ao certo e sem minha exata percepção se transformara em veneno. Minha doença ficou alterada.

Fazia bem ao teu ego. Diminuía a minha dor. No exato momento dos nossos olhos se encontrarem, da observação recíproca, do beijo quente, o mundo era nosso, aquilo se materializava de alguma forma, mas duravam poucos segundos pra você.

Hoje eu sei que você não sabe nada sobre mim, mesmo eu perdendo o juízo e nossa relação ficando evidente a todos, você até hoje não sabe nada sobre mim. Ao contrario de mim, é claro: a idiota apaixonada.

Mas sabe, eu não mudei por ter me decepcionado nem pelos fatos que gritavam na minha cara que eu devia desistir de você. Foi por mim, por minha saúde mental, por saber que existe alguém que realmente merece meu amor. Foi por saber que no final das contas ao mesmo tempo em que você tinha tudo a ver comigo, você não sabia nada sobre mim.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Não voltes.


Não tenho o que dizer a sensação não me é estranha, é dolorosa, mais é igual às outras. Queria nunca ter encontrado você, queria nunca ter te conhecido, queria nunca ter me entregado como me entreguei, tenho a sensação de sempre fazer parte de uma piada qual todos riem, você sempre é o palhaço, mas o que dói é ainda ter que ser a piada.

Não tenho culpa se a única coisa que eu não me desapego na vida é você, faz tanto tempo, abri mão de tanta coisa por você, na esperança do amor, tudo em vão.

Tentei ser feliz de tantas outras formas, tentei ter meu coração o mais distante de você, mas sempre estava escuro, vazio, as cores da vida estavam lá, coloridas, mas nenhuma forte o bastante pra me atrair e me fazer esquecer você.

Olhando você, sempre achei que faríamos o casal perfeito, sempre achei que eu fazia seu tipo. O problema dessa esperança é que se ainda restar um pouco na sua alma, mesmo que seja inútil, fica suficiente pra nunca terminar e sempre ser motivo de crescer.

Ainda não tive uma coincidência com os livros, contos e filmes de amor. Sempre achei que seria rápido, achei que você me perceberia que tentaria me conquistar mesmo desconfiando que o já tivesse feito e me amaria de verdade, e se um dia tudo isso acabasse, pelo menos teríamos uma história pra contar.

Sem história, sem amar, só a dor, latejando, intocável, invencível, exausta como uma ave voando sobre o mar sem esperança de repouso. Hoje enterro a busca em você, também exausto os meus olhos, deixo você ir, mas, por favor, imploro que não voltes

terça-feira, 19 de abril de 2011

Me leve.


Queria ser quem te esquenta nos dias frios
Queria ser seu apoio, sua amiga
Queria ser a outra metade da tua alma
A sua vontade, o segredo dos teus desejos
Deixe-me aproximar
Não se afaste
Não finja não me ver
E deixe que, sei pra onde ir
Me leve junto de ti
Não quero mais fantasiar nosso amor
Não quero mais fingir ser forte
Fingir não te amar e morrer aos poucos
Preciso de você comigo
Preciso do seu cheiro
Preciso da tua pele
Preciso de você.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pois entenda,


Hoje a inspiração não veio de você, não veio da sua falta de amor nem da decepção. Prendi-me ao vazio bom que ficou, nas lágrimas secas, na esperança do sorriso sincero, na capacidade de não confundir estar apaixonada e gostar de me sentir presa a você. Não sei bem a diferença entre os dois, mas eu já me apaixonei por você e já estive presa a você.

Queria te dizer mais alguma coisa sabe lá se eu queria mesmo, acho que não. Mas já quis. Já quis dar meia volta e mostrar o dedo na tua cara e gritar que eu não preciso de você nem da sua atenção, e que a decepção sempre vem à tona quando não é pra ser.
Não é pra ser. Não foi. Hoje estou feliz. Fecho meus olhos e não penso em você.

Quando o Jack entra demasiadamente em mim e perco meu controle, não grito mais teu nome. Uso esmalte vermelho, jeans curto, tênis, ando de skate e comprei patins, e não grito mais teu nome. Peco com outros caras e não grito mais teu nome.

É uma pena quando meus versos e pinturas falem desse vazio que você deixou, pois entenda, eu amei você. É memória, é pele, é mente, é mentir, é mentira, é você, é esquecer, é não ser. Eu não sou. Não sou tua. Sou o que nunca seria com você. Sou eu mesma.

Enquanto as pessoas preferem fingir que a ferida cicatrizou e que o amor se encontrou em outro corpo eu prefiro me curar, mesmo que aos poucos, mesmo sentindo o amargo da dor. Faço assim pra não ser injusta com o meu futuro meu. Para doar sempre o meu melhor nem que seja a melhor cicatriz, mas nunca a melhor dor.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Procura-se uma luz.


Procura-se uma luz
Nem muito clara
Nem muito escura
- Procura-se uma luz

Perdi num caminho sem rumo
Num caminho escuro
Todos os que me fizeram sumir,
Esconderam a luz que havia em mim.

Procura-se uma luz
Nem muito clara
Nem muito escura
Ela me fazia feliz

Enquanto essa luz se apaga
Outra renasce
Com um quê de liberdade
Como um objeto florescendo novidades

- Procura-se uma luz,
Para matá-la
Ao apresentar minha nova felicidade
Para queimar a minha antiga verdade.

terça-feira, 1 de março de 2011

Novo amanhã.


Primeiro foi incomodo, depois me lembrei de quem estava do meu lado, queria acordar naquela hora mesma pra confirmar que aquele momento era real. Os dedos dele delineavam as minhas costas e eu podia ouvir o sorriso contido dele me vendo arrepiar. Fechei os olhos de novo, queria me virar e beijá-lo, mas depois de estudar meu corpo percebi que estava cansada e feliz demais pra impedi-lo de terminar o que ele estava querendo começar.
Ele beijou minhas costas e meu pescoço. Eu fechei os olhos decifrando o que ele passava com aqueles beijos. Ele virou e percebi que ele se aquietou. Encostei minha boca na nuca dele e o abracei, o abracei como se o amor estivesse ali encarnado e despertando emoções que só o amor consegue lidar.
Nossas mentes estavam conectadas demais, os olhos fixos um no outro nos lembramos da conversa estranha de ”amigos” de onde tudo começou, da descoberta do perfume e dos sentidos que aquele cheiro trazia um ao outro, rimos felizes com o que tinha acontecido. Fomos apresentados ao amor.
Ele chegou bem perto da minha boca e perguntou “Posso te beijar?”, eu sorri, “Se não demorar muito, porque tenho um encontro marcado com meu amigo as 10h”. Ele me beijou lentamente e disse “E se eu trouxer ele aqui facilitaria as coisas?” “Só não deixe ele te ver assim, ele tem um pouco de ciúmes, eu nunca entendi, então é melhor sem constrangimentos”. Agora o beijo foi intenso, como se fossemos o casal de amigos mais apaixonados da cidade.
Liguei os pontos e percebi que nossa energia é forte, é mais ligada e mais antiga que eu imaginava, aliás, eu nem imaginava. A cada beijo, cheiro, aperto e língua descobri que o amor da minha vida sempre esteve do meu lado.


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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O vilão de nós dois.




Saí da lojinha alternativa e cara onde passei mais tempo do que deveria escolhendo roupas novas depois de uma fase difícil que aprendera a superar. Olhei para o meu lado esquerdo e o vi. Incrível, ele não fica feio. Estava bem vestido, como nunca o havia visto antes, escondia suas tatuagens numa roupa social. Outra coisa incrível, ele estava vestido com roupas sociais. Ele me viu. Sorriu. Explorou-me com os olhos e veio ao meu encontro.
-Oi!
-Oi!
Ele estava bem, seria desnecessário perguntar, até porque ele tomou a iniciativa de me cumprimentar, então ele estava bem.
- Como você está? – Foi inevitável.
- Pô, to bem. – Eu queria que ele estivesse bem, apesar de tudo, nós merecíamos isso.
- Que bom.
- E você?
- Estou ótima.
Eu estava ótima mesmo, não exagerei.
- Quanto tempo, hein?! – Ele disse, com um ar não de completamente decepcionado, mas ainda assim, decepcionado.
- É. Fico feliz em te encontrar.
- Eu também.
Ficou um silêncio ou pareceu um silêncio no tempo em que digerimos o que tínhamos acabado de dizer.
- Você está linda. Como sempre.
Tentando ser a pessoa mais meiga possível, sorri. Me esforcei para não passar qualquer outra coisa pelos meus olhos. Tentei lembrar as vezes que ele me dizia isso, mas não daquela forma, não em pé, não sem graça e nem como um estranho. Eu o olhava e incrivelmente ele era um estranho na minha frente no qual algum dia ou num passado distante parecia que eu já o conhecia de algum lugar, só não lembrava de onde e a única coisa que consegui dizer foi:
- Obrigada.
Tentei ser doce e acho que ele entendeu o recado. Eu queria dizer que ele estava muito bonito também, mas minhas pernas foram mais rápidas que minha boca. Poucos minutos depois o filme da nossa historia estava passando pela minha cabeça e eu estava identificando o vilão da história. Descobri que fomos nós dois. Uma história que não valia a pena um replay.


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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Deixe assim.


Deixe do jeito que está
Eu te amando, você me observando
Está bem assim,
Meu amor idealizado
Que há tempos busca um fim.

Meu coração escorregou das minhas mãos
E não tenho força para recuperá-lo
Não me chame de tola, meu bem
É que gosto desse jeitinho de estar afim
Se ele voltar, não voltará inteiro
Ele já não é mais o mesmo
Mas... Deixe do jeito que está
Deixe assim, eu gostando de você e,
Você gostando de mim.


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